Vamos fazer uma brincadeira? É sério, vai ser massa! Que tal?
A brincadeira vai ser assim: eu vou lhes contar uma história e quero que vocês me apontem onde se encontram dois personagens importantes.
Os personagens em questão, cujas descrições foram retiradas da Wikipedia, são estes:
Disjuntor
Dispositivo eletromecânico que permite proteger uma determinada instalação elétrica contra curto-circuitos ou sobrecargas.
Sua principal característica é a capacidade de poder ser rearmado manualmente quando estes tipos de defeitos ocorrem, diferindo do fusível, que tem a mesma função, mas que fica inutilizado depois de proteger a instalação. Assim, o disjuntor interrompe a corrente em uma instalação elétrica antes que os efeitos térmicos e mecânicos desta corrente possam se tornar perigosos às próprias instalações. Por esse motivo, ele serve tanto como dispositivo de manobra como de proteção de circuitos elétricos.
Burro
Definição 1 – chamado ainda de asno, jumento, ou jegue, é um mamífero perissodátilo de tamanho médio, focinho e orelhas compridas, utilizado desde tempos pré-históricos como animal de carga.
Definição 2 – qualidade ou condição de ser estúpido, ou a falta de inteligência, ao contrário de ser meramente ignorante ou inculto. Esta qualidade pode ser atribuída às ações do indivíduo, palavras ou crenças. O termo assim também pode se referir ao uso inadequado do juízo, ou insensibilidade a nuances por uma pessoa que se julga inteligente. A determinação de quem é estúpido é relativamente difícil, apesar das tentativas de medir-se a inteligência (e assim estupidez) tais como testes de QI. O adjetivo também pode ser usado como um pejorativo.
E então, vamos começar?
Nossa história começa domingo passado. Mais precisamente no último dia 28 de março. Era mais ou menos umas 10 e meia da noite. Com exceção do meu irmão mais velho (que se não me engano estava a: trabalhando na oficina mecânica pra torrar o dinheiro que recebe enchendo o rabo de cachaça, ou b: enchendo o rabo de cachaça ao torrar o dinheiro que recebe da oficina mecânica), eu e minha família estávamos todos em casa cuidando de nossas vidas: meu pai resolvendo os assuntos do trabalho dele; minha mãe terminando de arrumar a casa pra depois descansar e assistir seus programas favoritos na televisão; minha irmã conversando com as amigas via MSN; e eu deitado no meu quarto jogando videogame.
Nos últimos meses a onda de calor insuportável cada vez mais nos dava a certeza de que o fim do mundo estava próximo, me levantando a suspeita de que tal evento ocorreria bem antes de 2012. Ainda mais quando se trata de uma cidade como Natal, conhecida por ter cerca de 85 a 90% do ano composto por dias de sol escaldante, dignos de fazer do local onde moro a sucursal do quinto dos infernos.
Então dá pra imaginar o tamanho da minha alegria quando começou a chover forte aqui no meu bairro (se choveu na cidade toda eu não sei, só sei que São Pedro mijou por aqui). Finalmente os nossos 2 ventiladores, antes ligados quase 24 horas por dia na sala da TV, teriam um pequeno descanso e meu pai teria um pequeno alívio ao pagar a próxima conta de luz.
No entanto a conta de luz seria bem mais aliviada do que qualquer um de nós imaginava. Por volta das 23:20 horas, faltou luz aqui em casa.
Por sorte, a única luz existente no meu quarto no momento do apagão foi a que emanava das duas telas do meu precioso videogame portátil. Simplesmente odeio ficar no breu, independente do motivo e meu DS me serviu como uma ótima lanterna nessa hora.
Tal qual uma booth babe no estande da Nintendo em época de E3, saí com meu DS aberto quase na altura do rosto, direcionando a luz branca pelo meu caminho. Ao sair do meu quarto, minha irmã fala que aparentemente viu um fio de energia tombando do poste de luz que fica quase em frente a casa. Não caído totalmente, o fio elétrico realmente não caiu no chão, como da outra vez. Mas ele ficou tocando outros fios que passavam perpendicularmente abaixo dele.
Assim, ó:

A câmera do meu celular é uma bosta, eu sei.
É, eu sei. Ainda estamos na parte da noite da falta de energia e essa foto foi tirada na manhã seguinte. Confiem em mim e continuem lendo.
Então… já que estava chovendo pra caramba, imaginamos que o fio estava assim por causa da chuva e dos ventos, que poderiam tê-lo derrubado. Meu pai, já de lanterna na mão, resolve ligar pra companhia de energia daqui do estado e pedir a uma equipe técnica que viesse até a rua onde moro pra fazer os reparos.
Protocolo anotado, visita técnica agendada, a atendente diz que em pelo menos 2 horas os técnicos estarão aqui. E aguardamos.
2 horas depois, nem sinal dos caras. Meu pai liga de novo.
Mais 2 horas. E nada. A essa altura já são mais de 3 da manhã e nossa família resolve desistir da espera e ir dormir, mesmo debaixo do calor (a essa altura já havia parado de chover e começava a se manifestar mais uma característica do clima maldito dessa cidade: o calor abafado que sempre surge depois de uma chuvarada).
Entretanto meu pai continuou acordado (segundo ele), ligando a cada 2 horas e pedindo agilidade na vinda da equipe técnica da companhia. Como ele arrumou disposição pra virar a noite suportando falar com gerundistas no telefone eu não sei, mas foi isso que ele me falou quando acordei pela manhã, suado como se tivesse passado um dia inteiro numa sauna.
Após tomar um banho – e sem nada melhor pra fazer – resolvo tirar a foto que você viu logo acima, a do fio elétrico. Poderia ser útil, pensei. Depois tomo meu café, junto alguns trocados da minha carteira e vou até a lan house vizinha, ver se conseguia estudar para a prova de Programação Orientada a Objetos, que ocorreria logo mais. Obviamente, em vez de aproveitar o meu tempo para aprender mais conceitos sobre Objetos, Classes, Módulos e outras características que geralmente dão forma a um programa escrito em Java, passei uma hora inteira extravasando minha raiva no Twitter.
Como meus estimados alunos são muito inteligentes, com certeza perceberam algo estranho, principalmente ao ver essa foto das minhas tuitadas. Em meio a minha raiva, eu havia dito que faltou luz somente na minha casa. Além disso, a lan house de onde tuitei é vizinha a minha residência. O QUARTEIRÃO INTEIRO estava com luz e só a minha casa estava às escuras. Mas quem disse que eu pensei nisso na hora?
Enfim, uma hora depois, chego em casa e reparo que minha irmã estava falando com uma amiga dela ao telefone. Uns minutos depois ela sai andando até um canto no muro do portão da casa, mexe em alguma coisa…
…e fez-se a luz!
Quando eu perguntei, minha irmã disse que bastava desligar e religar o disjuntor da rede elétrica da casa e a luz voltaria, conforme foi instruída pelo atendente da companhia elétrica. Segundo o atendente, o disjuntor havia sido desativado automaticamente devido a uma oscilação elétrica causada pela queda de um raio nas proximidades.
Geralmente a gente percebe quando um raio cai pelo brilho característico no céu, seguido (ou não, dependendo da distância) do famoso trovão. Como o raio caiu muito longe da casa, não daria pra ouvirmos o som do trovão e como estávamos quase todos dentro de casa (e meu irmão trabalhando. Ou não) NINGUÉM notou o clarão do raio no céu. Assim que um de nós teve a ideia de botar o pé pra fora de casa pra ver o que aconteceu e deu de cara com o fio elétrico da foto lá em cima, achamos que ele era o culpado pela falta de luz. Só que O FIO ESTAVA CAÍDO DESDE SEMPRE e ninguém se deu conta! Logo ele não teve relação alguma com o apagão.
Razão pela qual a equipe técnica que tanto aporrinhamos a companhia pra enviar JAMAIS apareceu. Provavelmente eles já sabiam que o fio não era nada de mais, ou então tentaram informar sobre a queda do raio ainda na noite de domingo e meu pai não prestou atenção.
Ficamos 12 HORAS sem energia, com a comida da geladeira apodrecendo, o calor cozinhando o juizo e sem que eu pudesse revisar a matéria da prova que eu estava prestes a fazer simplesmente porque eu fiz questão de matar boa parte das aulas de física no meu 2º grau, perdendo os benefícios de prestar atenção na parte da matéria que ensina sobre eletricidade e esquecendo completamente como funciona um disjuntor doméstico.
Mas pelo menos há um lado bom nisso tudo: antes eu estava me lamentando com o Danilo DNA que tinha esquecido completamente de aderir à Hora do Planeta deste ano, e de divulgá-lo no NZ como fiz no ano passado. Agora tenho crédito pra não precisar aderir à campanha pelos próximos 12 anos!
Fim da história. Agora me respondam onde está o disjuntor? E o mais importante: ONDE ESTÁ O BURRO?
Dica: ele é blogueiro.
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