Como prometido, iniciamos o especial do aniversário do NZ Games com uma entrevista com o Augusto Bulow, da Invent4 Entretenimento.
Foi muito legal ter feito essa entrevista, deu pra conhecer um pouco mais da rotina e das dificuldades que uma desenvolvedora enfrenta pra se estabelecer no mercado de jogos. Como eu almejo criar meus próprios videogames futuramente achei ótimo conhecer a experiência desse pessoal e pude fazer uma boa ideia do que vou enfrentar.
Além disso, nesta entrevista há muitas informações interessantes a respeito dos seus profissionais, dos games da empresa, ferramentas e técnicas utilizadas para criá-los e até a resposta para uma certa curiosidade que bate em quem deseja publicar seus próprios games: como submeter um jogo no Steam ou em serviço semelhante.
Espero que gostem!

1 – Há quanto tempo a Invent4 existe? Quantas pessoas fazem parte da empresa e quantas delas se envolvem diretamente com a parte de desenvolvimento?
A Invent4 foi fundada oficialmente em 2009, mas a equipe por trás da empresa já trabalha há bem mais tempo na área. Antes pela Espaço Informática, já somam-se 11 anos desenvolvendo games para o mundo.
Nossa equipe é enxuta e variável. Contratamos de acordo com os projetos em curso, temos vários colaboradores associados. Mesmo em projetos de pequeno porte dificilmente temos menos de quatro pessoas envolvidas diretamente no desenvolvimento.
2 – Como foi o processo de desenvolvimento dos jogos Razor2 e Bad Rats? Você criou a engine dos jogos ou usou alguma das disponíveis no mercado? E quanto tempo os títulos levaram para ficarem prontos?
Razor2 e Bad Rats foram desenvolvidos com a engine GameStudio, da empresa alemã Conitec (www.3dgamestudio.com). O Game Studio foi nossa principal ferramenta nos últimos anos, utilizada em praticamente todos jogos que desenvolvemos.
Nossa opção em geral é utilizar ferramentas prontas, engines disponíveis no mercado. Entendo que a produção de uma engine é um trabalho, e a produção de um jogo é outro trabalho. Optamos por trabalhar desenvolvendo games, o que já significa muito trabalho também.
Bad Rats teve um desenvolvimento de praticamente um ano de trabalho e Razor2 tem uma história um pouco mais longa, foi iniciado em 2003, depois engavetado, e finalmente trazido à vida em 2010. Somando-se o tempo real de desenvolvimento poderíamos dizer que foi de cerca de um ano de trabalho.
3 – Sobre o Razor2: Como foi a recepção do jogo pelo público e pela crítica? E sobre as vendas? Estão correspondendo as suas expectativas (se puder nos falar, é claro)?
Tivemos uma boa recepção com o Razor2 de uma forma geral. Tivemos reviews importantes como o da IGN, que nos deu uma boa avaliação. E óbvio, outras críticas e reviews menos positivos, mas isso é normal no mercado. Impossível agradar a todos, ao menos sem investir uma boa grana em marketing.
As vendas caminham relativamente bem, a pirataria sempre complica um pouco as coisas neste sentido. Mas Razor2 ainda está sendo lançado em novos canais, recentemente entrou em outra gigante americana, a GameStop, por exemplo. O jogo Razor2 ainda é recente, está dentro do início do seu ciclo de vida.
4 – Porque vocês decidiram criar um jogo de um gênero já tão saturado quanto o Shoot-em Up? Havia em mente a tentativa de inovar dentro deste gênero? Pelo pouco que joguei da demo, ao menos na trilha sonora houve uma bela inovação.
De fato não trouxemos muita inovação com Razor2, mais se trata de uma compilação das melhores características de outros jogos do gênero, dentro de um estilo consagrado.
É um jogo bem equilibrado, balanceado, com uma boa variedade de inimigos, chefes de fase desafiadores, um bom conjunto de armas e updates, então para os que gostam do gênero esperamos atender todas expectativas.
A trilha sonora é uma característica à parte. Particularmente acho ela fenomenal, muito bem encaixada no game, gerando tensão e a ambientação desejada.
Não concordo que seja um gênero saturado. Existem muitos títulos de todos os estilos no mercado. Mas nesse gênero, assim como em outros, sempre existe espaço para boas produções. Quando “batemos” um jogo normalmente procuramos por outro, por isso essa saturação é relativa.
5 – Vocês pretendem implementar mais alguma novidade no Razor2? Talvez lançar algum DLC ou algo assim? Também pensam em criar alguma possível sequência para esse shmup?
Sim, existem planos neste sentido, mas sem data marcada.

6 – Notei que o Bad Rats pode ser adquirido tanto no site da Invent4 quanto nas lojas online do Steam, Gamers Gate e Direct2Drive. Já o Razor2 só está disponível para venda no Steam. Há alguma razão especial para isso? Alguma dificuldade relacionada à publicação nesses serviços, já que a Invent4 é uma empresa independente?
Na verdade ambos os jogos estão nestes canais mencionados. Temos que dar um update em nosso site, mas tanto Razor2 quanto Bad Rats podem ser adquiridos no Steam, GamersGate e Direct2Drive, além de diversos outros canais de distribuição on-line, que na verdade são mais regionais, em países da Europa por exemplo.
7 – Há algum plano em mente para lançar seus jogos atuais ou mesmo algum projeto novo em outras plataformas além do PC? Que tal lançar o Razor2 e o Bad Rats na Live ou na PSN?
Sim. Continuamos com produtos para PC, mas visando outras plataformas como uma necessidade de mercado. Estamos trabalhando nisso, e se tudo der certo, em breve estaremos com produtos para consoles, smartphones, etc.
8 – E quanto às plataformas móveis atuais? Sabemos que os produtos da Apple (iPhone/iPod/iPad) estão se transformando em excelentes plataformas para games e os smartphones com Android estão indo pelo mesmo caminho. Você já pensou em lançar uma versão do Razor2, por exemplo, para algum desses sistemas?
Exatamente nisso que estamos falando. Smartphones, por exemplo, são o sonho de consumo da hora. As vendas crescem exponencialmente e a tendência é que continuem assim nos próximos anos. Não ficaremos alheios a isso.
Particularmente sempre mantive uma certa distância do desenvolvimento de jogos para celular. Até pouco tempo atrás os modelos eram muito variados e de pouca capacidade – só suportavam jogos simples, o que eu entendia como um certo retrocesso. Agora com os novos smartphones as coisas estão mudando, iPhone e Android já permitem jogos de boa qualidade e tem uma arquitetura mais padronizada.
9 – Poderia nos dizer como é o processo de submissão de um projeto para venda no Steam? É fácil? Tem muitas restrições? Creio que essas informações podem ser muito úteis para outros desenvolvedores independentes.
A submissão de jogos para o Steam, assim como para outros publishers é sempre uma incógnita. O fato é que esses publishers recebem muitas submissões por dia, talvez até por hora. O jogo tem que ser bom. Bem finalizado, divertido, fácil de ser jogado e compreendido.
Sempre se manda uma descrição do jogo, e esse texto – normalmente em inglês – tem que ser muito bem escrito, direto, sucinto. O texto tem que chamar a atenção dos publishers, mas é o jogo que tem que confirmar essa expectativa.
Minha dica, ou minha percepção, é de que sempre há espaço para bons jogos. Se o jogo for bom, você terá retorno na submissão, e provavelmente ele será publicado.

10 – Outro dia eu joguei um web game criado pela Invent4 chamado Eleito. Achei ele muito interessante, bem estilo Sim City. Poderia nos falar um pouco mais sobre este jogo?
Eleito é um jogo desenvolvido para o ClicRBS, que foi lançado antes da eleição do último ano e que ainda pode ser jogado por qualquer um, gratuitamente, pelo link http://eleito.clicrbs.com.br/. É necessário apenas fazer o cadastro.
O jogo tem elementos do SimCity, Tropico e outros do gênero e coloca o jogador como o governador de um estado virtual. Uma diferença básica é que o mandato é de 15 dias reais – o jogo tem o funcionamento baseado em tempo real. Você faz uma obra no jogo, e tem que esperar algumas horas ou dias reais para que ela seja concluída. Como governador você define obras, impostos, contrata professores, médicos, policiais… enfim, você é o gestor do estado virtual.
É uma experiência bem interessante de jogo, tem um cunho educacional. E reproduzo um dos comentários de um usuário do jogo: “Todos deveriam jogar Eleito antes de criticar um governo”. De fato, no jogo se tem a percepção de parte do processo envolvido no gerenciamento de um estado.
11 – Agora sobre o mercado de games nacional e internacional: Quais são suas expectativas para o futuro, tanto como desenvolvedor como do ponto de vista do gamer?
As expectativas para o futuro são positivas. Esperamos continuar desenvolvendo bons games, trazendo boas ideias a vida, inovando sempre que possível e entrando com nossos produtos em novos mercados e plataformas.
O mercado internacional é cada vez mais competitivo, mas mantenho a premissa de que sempre há espaço para novos jogos de qualidade.
O mercado nacional ainda é uma lacuna. Nossos jogos por exemplo, a maioria deles não teve uma distribuição no Brasil – e não por que não corremos atrás. Pelo contrário, até hoje continuo em contato com publishers nacionais, para a distribuição das versões em Português dos jogos, que estão prontas, mas ainda não chegaram às lojas.
12 – Qual a sua opinião a respeito do Projeto Jogo Justo?
Acho uma iniciativa muito positiva e apoiamos a ideia completamente.
Menores impostos impulsionam o consumo e a produção. O preço atual dos jogos de uma forma geral é proibitivo, o que alimenta ainda mais a pirataria.
Na verdade acho que precisamos de uma reforma tributária bem mais ampla em nosso país, mas isso é outra história. Outro exemplo de evolução necessária é que o Brasil e os EUA não tem um tratado bilateral assinado – para evitar a bitributação. Para alguns produtos que vendemos nos EUA, pagamos impostos lá e aqui.
13 – Muitíssimo obrigado pelo seu tempo. Foi ótimo conhecer um pouco mais da Invent4 Entretenimento e seus trabalhos. Agora para finalizar, por favor dê uma palavrinha aos nossos leitores!
Muito obrigado! Por aqui continuamos trabalhando duro para a diversão de todos. Esperamos trazer bons games e apresentar novidades em breve.
***
Gostaria de agradecer ao Augusto, da Invent4, por ter dedicado um pouco de seu tempo a nos dar essa entrevista e também ao Marcos Silva por me ajudar a elaborá-la.
Nesta quarta daremos início à promoção Razor2 do NZ Games e Xbox Plus! Portanto, leitores de ambos os blogs, fiquem ligados! ![]()
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