
Quem acompanha o NZ Games desde seus primórdios deve se lembrar (ou não, né?) de uma vez falamos sobre games de ninjas aqui no blog. Mais precisamente sobre o clássico Shinobi, para Mega Drive. Assim como ele, diversos outros jogos cuja temática são esses guerreiros orientais quase sempre são cheios de ação e aventura.
Mas existem alguns outros jogos sobre os ninjas que exploram uma outra faceta deles. Justamente a mais fascinante delas e que geralmente é esquecida quando se criam games sobre os ninjas: a furtividade. Com personagens dotados de grande agilidade, perícia em combate e – em muitos casos – poderes sobre-humanos, frequentemente as desenvolvedoras esquecem um pouco que os ninjas também eram espiões e assassinos implacáveis, que eliminavam seus alvos sem ser notados.
Lembro de um antigo jogo para o primeiro e saudoso Playstation que não esqueceu esse pequeno detalhe. Ao contrário, fez da furtividade um elemento chave de sua jogabilidade. Tenchu: Stealth Assassins é o seu nome e vamos relembrá-lo nas próximas linhas.

Em uma província do Japão feudal, dois ninjas chamados Rikimaru e Ayame trabalhavam para o senhor feudal local – o lorde Gohda – executando missões com o objetivo de combater a corrupção e coletar informações para proteger a província da melhor maneira possível. Recentemente, o lorde feiticeiro Mei-Oh surgiu com o desejo de acabar com a vida de Gohda e enviou seus guerreiros Onikage para causar pânico e destruição. Agora cabe à dupla de ninjas conter essa ameaça e proteger seu lar, usando suas técnicas mais mortíferas.
Tenchu: Stealth Assassins foi produzido em 1998 para o Playstation pela desenvolvedora Acquire e distribuída no Japão pela Sony (nos EUA e Europa, a distribuição foi feita pela Activision). O game se passava no Japão Feudal, tendo alguns elementos da mitologia desse país, mas infelizmente o jogo era bastante simples nesse aspecto, focando bem mais na jogabilidade em si – que por sinal era bem ruinzinha.

O jogo era em terceira pessoa, estilo Tomb Raider (como era bastante comum em muitos dos games de ação daquela época), com a jogabilidade bastante semelhante ao título da exploradora inglesa. Mas em adição a isso havia elementos de furtividade, que obrigavam o jogador a ser cauteloso na hora de despachar os inimigos.
Apesar de haver diferenças entre os personagens disponíveis (Rikimaru era mais lento, porém mais forte, enquanto Ayame podia andar mais rápido, mas causava menos dano), infelizmente a movimentação deles era bastante rígida e nem sempre dava pra se locomover bem pelos cenários.

Em todas as suas 10 fases o objetivo era chegar de um ponto A a um ponto B sem ser percebido, matando o mínimo de inimigos possível ou – caso o combate fosse inevitável – eliminando-os de forma sorrateira. Em algumas dessas fases havia um chefão a ser derrotado no final. O mais legal desse game eram as maneiras variadas de matar os adversários, sempre com uma animação bem estilosa – e sanguinolenta!
Felizmente Tenchu não se propunha totalmente a ser um "Metal Gear Solid com ninjas" e o jogador também podia partir pra cima dos inimigos "ao estilo Naruto", caso quisesse. Entretanto as batalhas ficavam um pouquinho mais difíceis, já que você abriu mão de seu elemento surpresa. Mas o melhor de tudo era ter toda uma bela coleção de armas ninja que podiam ser usadas antes de entrar em cada fase, com itens como bolinhos de arroz (para atrair os inimigos), bombas de gás (para atordoá-los) e até mesmo um versátil gancho de escalada!
Eu me divertia pra caramba jogando esse game, mas hoje em dia – jogando no emulador – acho-o apenas um game mediano, que infelizmente não envelheceu bem. Fico curioso para saber como ficaram os games mais novos da franquia (um dos últimos games, agora distribuído pela Ubisoft, foi lançado para o Nintendo Wii em 2008 e PSP em 2009). De qualquer forma, eis mais um clássico dos 32 bits que vale a pena dar ao menos uma olhadinha.