#CPBR6 – O que eu aprendi com Nolan Bushnell

Giancarlo Silva - 6 de fevereiro de 2013

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E não é que eu fui parar em São Paulo? Assim, do nada? :D

Entre mil outros motivos que fizeram com que eu me despencasse do Nordeste pra lá para participar da Campus Party Brasil 2013 estava uma das atrações que eu julguei importantíssimas para o futuro da minha carreira. Se eu quero ser um bom criador de jogos, nada mais natural do que ouvir a voz da experiência, então não posso deixar passar a oportunidade de ouvir os conselhos e absorver um pouco da vivência de uma das mais célebres personalidades da indústria de jogos digitais.

Desde que eu estudei a história dos videogames pela primeira vez, sempre tive admiração por Nolan Bushnell. Sem querer desmerecer a contribuição de William Higinbotham e de outros grandes pioneiros, o fundador da Atari (que Deus a tenha) tem muita história pra contar, além de muitas boas lições para um entusiasta como eu, que almejo um dia fazer mais do que apertar botões na frente da TV ou do computador.

Em sua keynote ocorrida na última terça-feira, dia 30/01, Bushnell nos ofereceu uma breve viagem no tempo, contando sobre os primórdios da Atari, que se confunde com a própria história dos jogos digitais. Enquanto isso relembrou curiosidades interessantes, que talvez fossem de conhecimento de muitos de vocês, mas que pra mim eram novidades, como sua relação com Steve Jobs por exemplo. Fiquei bastante surpreso ao saber que o falecido símbolo da Apple teve Bushnell como seu primeiro chefe e que anos mais tarde a Atari contribuiu com a empresa da maçã para a criação do computador Apple II.

“Eu tive um bom amigo e empregado chamado Steve Jobs. Uma vez ele me ofereceu um terço da Apple Computer por 50 mil dólares, e eu recusei. Achei que abrir uma rede de pizzarias com videogames era uma idéia melhor”.

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Chuck E. Cheese’s: a cadeia de pizzarias infantis fundada por Bushnell no final dos anos 1970

Outra coisa que gostei muito no monólogo de Bushnell foram suas opiniões e sua visão de futuro a respeito da indústra. Ele opinou sobre as promessas e tendências que surgiram atualmente. Uma delas foi um conceito de centro de diversões que cria ambientes com obstáculos para que os visitantes se sintam dentro de um videogame (“O fliperama do futuro”, nas palavras de Bushnell). Outra foi a mais recente tentativa de surgimento da realidade virtual, motivada pelo acessório Oculus Rift, que recebeu muitos elogios dele. Particularmente eu não concordo que o Oculus Rift vingará e se tornará algo preferido pelas massas, ainda mais lembrando do quanto as pessoas anseiam não precisar mais de óculos específicos para, por exemplo, ver filmes em 3D.

Eu devia ter perguntado ao Bushnell qual a opinião dele sobre o projeto IllumiRoom, da Microsoft

“Se você tiver uma idéia e 99% das pessoas acharem que esta idéia é maluca, e só 1% disser que é uma boa idéia, e este 1% for você, vá em frente”.

Nolan aproveitou para falar sobre seu livro “Finding the Next Steve Jobs”. Inpirado em seu mais ilustre ex-funcionário, sua obra dará lições de empreendedorismo e dicas de como reconhecer novos talentos na indústria. Nesse momento, entre muitos outros valiosos conselhos, Bushnell falou algo que realmente me impressionou, já que desde que entrei na faculdade percebo que essa é uma realidade crescente no mercado de trabalho: nem sempre qualificações e certificações tradicionais são importantes. Para Bushnell, criatividade e trabalho duro são mais importantes em um mercado como o dos videogames – e em outros mercados que envolvam entretenimento – do que um diploma pendurado na parede.

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Falou, tá falado!

Por fim, as duas coisas que mais me agradaram nesta apresentação são os dois projetos de Bushnell que usam os games para aprimorar a educação. Um deles, o Brainrush, envolve a criação e uso de um material didático e uma metodologia de ensino diferenciados, com exercícios e tarefas desenvolvidos com base nas mecânicas dos games. Seu site oficial inclusive traz algumas lições que podem ser experimentadas livremente e é bastante interessante como conseguimos assimilar informação jogando essas lições por não mais do que alguns minutos! É o tipo de coisa com o qual nós, jogadores, sempre convivemos por assimilarmos conhecimento dessa maneira desde cedo – quantas vezes não nos vangloriamos explicando aos que não curtem nosso hobby que conseguimos aprender inglês jogando videogame? – porém levado a um patamar, digamos, mais palatável para a sociedade: se até hoje ainda há um pouco de resistência ao uso de videogames em salas de aula, um exercício gamificado de geografia acaba agradando aos pedagogos, facilitando a vida dos professores e cumprindo sua função de divertir e instruir os alunos.

A outra iniciativa educacional anunciada por Nolan Bushnell que eu gostei pra caramba atende pelo nome de Xaporia Studios. Projetadas para ser um misto de universidade e estúdio de desenvolvimento de jogos digitais, duas dessas unidades deverão ser implantadas no Brasil, sendo uma em São Paulo e outra no Rio de Janeiro. Esperemos que essa empreitada realmente faça sucesso e que Bushnell se interesse em criar mais desse centros em outras regiões de nosso país. Rio Grande do Norte, Ceará e Pernambuco (só para citar alguns estados nordestinos com bons avanços tecnológicos) certamente se beneficiariam – e trariam benefícios – ao crescente e promissor mercado de games nacional.

Como ser bem sucedido na indústria dos games, segundo Nolan Bushnell:

  • Faça algo diferente
  • Busque a intensidade
  • Contrate o desagradável
  • Exercite seu cérebro
  • Mexa-se
  • Ignore as qualificações
  • Pense em jogos e brinquedos
  • Redefina suas falhas
  • AJA!

Não tenho palavras pra descrever como eu me senti realizado não apenas pelo simples fato de estar em São Paulo prestigiando um evento da magnitude da Campus Party pela primeira vez na minha vida, como também por finalmente ter a oportunidade de ver de perto uma das pessoas mais importantes da indústria dos games e um dos que mais contribuíram – e ainda contribuem – com avanços tecnológicos e educacionais dentro e fora do ramo do entretenimento.

Nada mal pra quem é dono de uma empresa que acabou de falir.

Imagem de Amostra do You Tube

Giancarlo Silva

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Graduando de Tecnologia em Análise e desenvolvimento de Sistemas pelo IFRN, desenvolvedor e webdesigner freelancer. Sou viciado em videogames, amo literatura, sinto saudades de quando desenhava quadrinhos e os ensinamentos de Ben Parker formaram o meu caráter.


  • http://erickmendonca.com.br/ Erick Mendonça

    Também estaria muito empolgado diante de um titã desses! A Atari, aos trancos e barrancos às vezes, outras de forma épica, sempre esteve presente e se misturou com a história dos videogames.

  • http://levelmais.com/ Rubens Cavalheiro

    Ele comentou que comer sardinha mais umas paradas são boas para memória/criatividade, só que não lembro!

    • http://www.notazero.com.br Giancarlo Silva

      Verdade, eu lembro vagamente que ele falou essas coisas de comer sardinha e tal… Mas ele falou meio por alto, eu acho… =P

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