É tão bonito quando a gente percebe que está passando por uma transição entre gerações de videogames… A noite desta quarta-feira (20/02) marcou o início da oitava geração de consoles (vai pensando que eu vou considerar o Wii U aí, hein) com a tão esperada conferência mundial PlayStation Meeting da Sony, que serviu de palco para o anúncio oficial do PlayStation 4.
Enquanto diversos rumores chegam ao fim – alguns se concretizando e outros simplesmente morrendo – outras informações importantes permaneceram incógnitas, ao menos até a edição 2013 da E3. Mas enquanto isso a Sony revelou o seu novo console, divulgou novidades para o esquecido PSVita, anunciou mudanças e novidades para a PlayStation Network e saciou a sede dos fãs da família PlayStation e de videogames em geral com muitos outros detalhes de seu mais novo aparelho de entretenimento digital.
Não vou escrever nada aqui exatamente na ordem. Resolvi listar sem ordem definida os pontos que achei mais relevantes da conferência. No final deste texto, há um link para a reprise do evento para quem perdeu ou quiser rever, além de conferir tudo que eu omiti ou esqueci de falar aqui.
- O hardware;
Dito isso, comecemos por algumas das informações mais importantes (ainda que pouco reveladas) a respeito do PS4: o seu hardware. O console, o aparelho em si, não foi mostrado durante o evento inteiro: a exemplo da estratégia que a Nintendo fez com o Wii U, apenas a nova encarnação do controle Dual Shock foi mostrada, mas sobre ele falaremos logo menos.
Mantendo boa parte do mistério para a E3 e para mais algum evento que a Sony de repente queira fazer daqui pra lá, nada de sabe sobre o visual do console e somente alguns detalhes foram divulgados sobre seus componentes, mas alguns deles chamaram bastante a atenção.
Para começar, seu processador (não sei ainda dizer quantos são, então usarei o termo no singular) de 8 núcleos será um tradicional processador de arquitetura X86, assim como os processadores dos computadores! Graças a isso a criação de jogos deverá ser mais fácil. Em um dos vídeos apresentados na conferência, uma das coisas que os desenvolvedores falavam era sobre como o PS4 se tornou muito mais amigável do ponto de vista da programação, ao contrário do verdadeiro suplício que era lidar com os oito processadores Cell do atual PS3. O GPU do novo PlayStation também será diferenciado e totalmente dedicado, também se assemelhando às tradicionais placas de vídeo dos PCs.
Um detalhe interessante é que o PS4 será dotado de um processador auxiliar especial, dedicado unicamente a funções multitarefa. Dessa forma, o download e upload de dados durante uma sessão de jogo e até mesmo a função de hibernação (onde o jogador poderá desativar seu videogame no meio de uma partida e continuar mais tarde EXATAMENTE de onde parou) se tornará perfeitamente possível, sem perda de desempenho e sem uso inadequado dos recursos computacionais do aparelho.
Enquanto eu tava assistindo o evento e floodando o Twitter percebi que surgiram dúvidas sobre que tipo de processador terá o PS4, se era um de 32 ou de 64 bits. Bom, considerando que o PS4 terá 8 GB de RAM unificada e que um processador de 32 bits é incapaz de gerenciar mais do que 4 GB, fica meio óbvio que o processador do PS4 será de 64 bits, né?
- O Dual Shock 4;
Devo dizer que o novo Dual Shock me agradou pra caramba! A Sony está de parabéns por manter sua identidade e ao mesmo tempo trazer coisas diferentes e corrigir ao máximo alguns defeitos do atual Dual Shock 3.
Talvez inspirado no controle do Ouya, o Dual Shock 4 vem com um touchpad ao centro, ideal para jogos que possuam jogabilidade baseada em toques e gestos, como nos Smartphones e Tablets. Além disso, na parte da frente do controle há uma barra de luz, que emite uma luz colorida que funciona sob o mesmo princípio daquele pirulitão do PS Move, trabalhando conjuntamente com a nova versão da câmera PlayStation Eye.
- Tá bonito, hein!
- O novo touchpad
- O design novo, ainda se apegando ao tradicional. Parece bem confortável.
- A barra de luz frontal, tal qual a esfera do controle do PS Move.
- A nova PS Eye, que trabalhará em conjunto com o Dual Shock 4 para garantir o controle de movimentos.
- A nova PS Eye.
Novos botões foram criados e nesse quesito quebra-se um paradigma que havia se formado de uns bons anos pra cá: Não existem mais os botões Start e Select, que aparentemente agora passam a ser agrupados no único novo botão Options, que fica em um dos lados do touchpad. Do outro lado fica o também novo botão Share, que traz um dos novos recursos do PS4 de compartilhar conteúdo dinamicamente, o que inclui a transmissão imediata de vídeos de gameplay produzidos pelo jogador (cortesia da tecnologia do Gaikai).
Além disso, o design geral foi levemente modificado, sem perder a identidade original (e sem virar outro controle de Xbox 360) mas aparentemente tornando o Dual Shock 4 mais confortável e anatômico do que seus antecessores. Sem contar que finalmente os botões L2 e R2 viraram gatilhos de verdade!
- A PlayStation Network e o Gaikai;
A PSN praticamente virou uma rede social, além de ter sido altamente aprimorada com a tecnologia do Gaikai. Agora teremos recursos como a visualização em tempo real do que nossos amigos estão jogando, além da possibilidade de assumirmos o controle do jogo deles. Mas entre outras coisas o que eu realmente mais gostei foi o uso do streaming para oferecer demonstrações dos jogos ao invés do tradicional download para o HD do sistema. Dê uma jogadinha em algum título novo via streaming e, se gostar, compra o jogo na loja física mais próxima ou na PSN mesmo.
Além disso, a PSN terá a capacidade de cruzar os dados fornecidos pelo jogador enquanto ele está conectado e “adivinhar” quais jogos ele poderá gostar, fazendo automaticamente o download de um jogo e o sugerindo ao jogador. Caso ele goste da sugestão basta confirmar, fazer o pagamento e começar a jogar imediatamente, inclusive se o download do jogo ainda não tiver sido concluído: a exemplo do que a Blizzard já faz com seus jogos de PC, o jogador poderá jogar o game recém-comprado enquanto ele ainda está terminando de ser baixado para o HD.
Tudo realmente bem prático. Só espero que a Sony do Brasil forneça a estrutura necessária para um bom funcionamento de tudo relacionado ao Gaikai para quando o seu novo console chegar ao Brasil.
- O PSVita
Pelo que eu entendi do evento, a tecnologia do Gaikai também pode estar relacionada à evolução do antigo recurso Remote Play, que já existia entre o PS3 e o PSP mas que a Sony praticamente fez de conta que não existia (me fazendo acreditar durante um bom tempo que esse recurso tinha sido criado pela Nintendo com o Wii U e seu GamePad). O recurso foi apresentado em funcionamento, com um jogo sendo transmitido para a tela do PSVita.
Beleza, o evento é dedicado ao PS4, mas mas cadê mais jogos pro Vita, dona Sony?
- GAEMZ (ok, nem tanto)!
Agora vamos ao que realmente interessa: os jogos! Com algumas boas confirmações e algumas surpresas desagradáveis, essa parte do evento foi até bem interessante, mas sentimos falta de títulos que estávamos esperando ainda no PS3 (The Last Guardian, oi?)
Basicamente os seguintes títulos já foram confirmados, sendo que vários deles foram demonstrados de uma forma ou de outra no evento:
- Knack (Japan Studios)
- InFamous: Second Son (Sucker Punch)
- Killzone: Shadow Fall (Guerrilla Games)
- Driveclub (Evolution Studios)
- The Witness (Jonathan Blow)
- Watch_Dogs (Ubisoft)
- Destiny (Bungie)
- Deep Down (Capcom)
- Diablo III (Blizzard)
Algumas franquias clássicas do PS3 retornam ao PS4, inclusive uma delas me deixando uma boa impressão: o novo Killzone ficou realmente muito bonito, dando uma boa ideia do que os gráficos do PS4 serão capazes de fazer. Fiquei bastante empolgado também com mais uma demonstração do esperadíssimo Watch_Dogs, fiquei curioso com o que Jonathan Blow está aprontando com seu The Witness e tive boas expectativas com o Deep Down, novo título da Capcom que mais me pareceu uma mistura de Dark Souls com Dragon’s Dogma.
Entretanto minhas duas maiores decepções nesse evento da Sony foram a Square-Enix e a Blizzard. A primeira se limitou a mostrar aquela mesma demonstração da engine Luminous que vimos na E3 do ano passado e a dizer que estão criando um novo Final Fantasy. Já a segunda, depois de anos e anos produzindo títulos somente para os computadores, anuncia seu retorno aos consoles anunciando a porcaria do Diablo III para PS3 e PS4. Pelo menos vai ter um modo cooperativo pra 4 jogadores, que deve ser bem mais divertido do que aquele mata-mata mequetrefe que saiu pra versão de PC esses dias.
***
E foi assim que a Sony deu seu primeiro passo rumo à oitava geração de consoles. Agora só falta a Microsoft nos mostrar o que ela anda aprontando com seu novo Xbox, para que possamos continuar com nossas costumeiras briguinhas de fanboys dizendo que nosso console favorito tem o pau maior que o console favorito dos outros.
Mas e aí, gostou das novidades? Elas foram o bastante pra você desejar comprar o novo Playstation? Prefere aguardar a E3 2013 pra conhecer mais? Quer ver o novo Xbox ser anunciado e decidir qual dos dois é o melhor? Conta sua opinião pra gente aí nos comentários! E se por acaso você perdeu o evento, confira a reprise na página oficial da Sony…
Ou veja o vídeo abaixo, que é muito mais maneiro! xD
Giancarlo Silva
Graduando de Tecnologia em Análise e desenvolvimento de Sistemas pelo IFRN, desenvolvedor e webdesigner freelancer. Sou viciado em videogames, amo literatura, sinto saudades de quando desenhava quadrinhos e os ensinamentos de Ben Parker formaram o meu caráter.

















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