Clássicos – Descendo para cima com Metal Storm (NES)

Antonio Gaio - 22 de fevereiro de 2013

MOB-RetroGames

E aí galera retrogamer! Hoje vou falar de um jogo não muito conhecido do nosso saudoso Nintendinho que “passou batido” por muitos, porém é um dos melhores do estilo na minha opinião e bastante original também: Metal Storm.

A armadura M308 é muito legal e tal... Só tem um detalhe: não tem cabeça!

A armadura M308 é muito legal e tal… Só tem um detalhe: não tem cabeça!

Todo mundo sabe que nenhum país cria robôs melhor que o Japão e que o pessoal de lá já cresce assistindo animes com eles. A familiaridade dos japoneses com esse assunto é muito grande, então a quantidade de jogos baseados neste tema é gigantesca.

Só que a Irem (empresa que ficou famosa pela série R-Type) resolveu criar um jogo envolvendo um robô (na verdade uma armadura cybernética) que possuía um elemento bem original, a troca da atração gravitacional do estágio (o nome japonês Juryoku Soko Metal Storm significa “armadura gravitacional”).

A gravidade invertida não era exatamente uma novidade no mundo dos games, ela já estava presente no clássico da Capcom, Strider, mas neste não se podia trocá-la a qualquer momento, somente em alguns cenários a situação ocorria. Em Metal Storm, existe um comando próprio para isso (para cima e pulo para jogar a gravidade no plano superior, e o contrário para a gravidade “normal”, digamos).

Os humanos transformaram Plutão em uma base cybernética. Dê uma olhada na foto e me diga se ele gostou...

Os humanos transformaram Plutão em uma base cybernética. Dê uma olhada na foto e me diga se “ele” gostou…

Isso adicionou uma mecânica bastante ágil a este recurso, proporcionando ao jogador uma sensação bem diferente/estranha ao jogar com a armadura andando e pulando normalmente pelo teto. Uma curiosidade, a Irem (uma das poucas empresas clássicas que felizmente está por aí até hoje) costumava usar a letra M para designar suas placas de fliperama (M90, M92… a última que lançaram foi a M107) então, este nome da armadura provavelmente teve origem daí. Não me perguntem sobre a origem do 308, porque eu não saberei responder :D )

Na história (porque é sempre preciso uma desculpa pra sair destruindo tudo), o ano é 2501 (3521 na versão japonesa) e os humanos resolveram colocar um canhão de laser gigante em Plutão (que, desde 2006 não é mais um planeta, coitado) para proteger a Terra. Só que como sempre dá algo errado pra nós, o computador que gerencia o canhão ficou maluco e começou a destruir todos os planetas do sistema solar, sendo que o último a explodir foi Netuno (eu nunca gostei muito de azul mesmo…).

Aí você pergunta: a bagaça não tem algum sistema de segurança, tipo auto-destruição? Olha… ter até tem, mas ele travou também!! Além disso o próximo planeta na mira do canhão é a Terra! Quando os humanos viram o tamanho do problema, aí sim liberaram uma verba para criar a armadura Storm Gunner M308. Mas só assim mesmo para “abrirem a mão”… Por que diabos não chamaram alguém competente para criar o canhão antes? Na verdade, de certa forma foi bom, porque se isso tivesse acontecido, não haveria jogo algum, hehehe.

M308 contra cabeça de lobo cybernética. No futuro essa cena será normal...

M308 contra cabeça de lobo cybernética. No futuro, esta será uma cena normal…

O 308 gunner pode atirar somente em 4 direções (esqueceram de colocar diagonais no coitado, talvez seja algo relacionado a falta de uma cabeça no design do robô :D ) mas nada que atrapalhe a jogatina. Na verdade, uma coisa atrapalha um pouco, ao meu ver: é impossível atirar baixado para a frente. Quando você abaixa o robô, ele automaticamente atira reto para baixo, e caso o jogador não esteja acostumado com isso, vai explodir algumas vezes com o tiro inimigo (apesar de parecer “parrudão”, o 308 gunner só aguenta um tiro, a não ser que seja coletado um item que permite receber um disparo adicional).

Outra coisa importante: quando você troca de gravidade, no trajeto que o robô executa no ar até chegar ao outro plano (por exemplo, o teto), você fica totalmente vulnerável a qualquer contato com inimigos ou projéteis. Encostou em algo, explodiu (uma explosão muito bem animada inclusive, para os padrões do Nintendinho). Porém, existe um item que transforma o robô (somente durante a mudança gravitacional) em uma bola de fogo, destruindo quase qualquer coisa no caminho! Só não vá querer usar isso nos chefes: vai ser a mesma coisa que se suicidar…

Uma das coisa que os videogames 16 bits (Mega Drive, SNES) possuem em comparação aos 8 bits (Nintendinho, Master System) são planos adicionais de scroll (por exemplo: o plano frontal – chão, montanhas – do cenário se move em velocidade diferente se comparado ao posterior, digamos, algumas nuvens, criando uma sensação de profundidade) mas em Metal Storm, os programadores conseguiram implementar este recurso “na mão”, já que o hardware não tem essa função nativa [Nota do Editor  - Giancarlo Silva: Caramba, efeito de Parallax no NES?! Preciso mesmo jogar esse jogo!].

Mesmo tendo sido capa da famosa Nintendo Power, Metal Storm até hoje não é muito conhecido...

Mesmo tendo sido capa da famosa Nintendo Power, Metal Storm até hoje não é muito conhecido…

O resultado foi bem inovador para a época (o jogo é de 1991) e Metal Storm recebeu várias críticas favoráveis da mídia especializada (está recebendo mais uma agora, feita por este que vos escreve).

Falando em ano, estranhamente ele saiu primeiro nos EUA e só um ano depois no Japão, mas em compensação, adicionaram uma abertura melhor na versão japonesa e mudaram a cor do robô (nos EUA, o M308 é alaranjado, no Japão, é branco). Na verdade, até na capa americana ele é branco, então isso pode ser considerado como uma melhoria. Outra coisa que mudou é o nome da base com o canhão em Plutão, que virou “Gigadeath”. Para os americanos o nome é “Cyberg” (escrito assim mesmo, ou seja, errado).

A parte musical não é lá grande coisa, mas faz seu trabalho, traduzindo bem o clima hiper tecnológico dos estágios. Porém, o jogo em si é muito bom apesar de um pouco difícil, principalmente nas fases mais avançadas (daquela dificuldade que faz jogar o controle na parede). Para completar, depois que se termina uma vez o jogo, é mostrada uma password que desbloqueia um modo expert, como se o normal já não fosse suficiente (bom, o masoquismo está aí…).

Fiquem com o modelo que um cara extremamente talentoso chamado Cole Blaq criou (em Lego!) da armadura gravitacional M308 e até o próximo retrogame!

Ficou perfeita esta caracterização do talentoso Cole Blaq!

Ficou perfeita esta caracterização do talentoso Cole Blaq!

Imagem de Amostra do You Tube

Ah, não deixem de conferir também o canal Retroreviews BR no YouTube, onde faço upload de vídeo análises de jogos! Bye!

Antonio Gaio


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